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<title>temmais.com/blog - RSS</title>
<link>http://www.temmais.com</link>
<description>Últimos posts</description>
<language>pt-br</language>
<copyright>Temmais.com</copyright>
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<title><![CDATA[Sorry about that]]></title>
<link><![CDATA[http://www.temmais.com.br/blog/tudojuntomixturado/Default.aspx?idPost=11231]]></link>
<author><![CDATA[Sorry about that]]></author>
<pubDate><![CDATA[17/4/2010 13:25:26]]></pubDate>
<description><![CDATA[<p>I am sorry. I am really sorry. De verdade, eu sinto muito. Sinto muito e pe&ccedil;o desculpas por este tempo de n&atilde;o escrivinhan&ccedil;a. N&atilde;o postan&ccedil;a.Mas &eacute; que n&atilde;o dava. N&atilde;o tava dando. Era o dia cinza, todos os dias cinzas, a chuva, a neve, o provedor que falhava. Era a saudade, o natal, o ano novo e o novo ano. As mudan&ccedil;as, a confus&atilde;o, a necessidade de dormir muito, muito, muito mesmo. Ou de assistir um filme - ou quatro - ou de ficar na cama, jogada sem fazer nada. Uma canal sempre aberto pras l&aacute;grimas. O edredon sempre pesado de mais para ser tirado de cima, o aquecimento sempre quentinho suficiente para que n&atilde;o se queira sair, o tempo l&aacute; fora sempre &uacute;mido e escuro, de um jeito que da medo e remete a pijama e brigadeiro.</p>
<p>Mas o tempo que n&atilde;o p&aacute;ra - clichezando necessariamente Cazuza - foi mudando as folhas do calend&aacute;rio at&eacute; que o rel&oacute;gio andiantou uma hora, a temparatura aumentou uns 10 graus e as &aacute;vores, antes despudoradamente peladas, come&ccedil;aram a despontar brotinhos, folhinhas novas, flores. Primeiro as amarelas, depois as brancas, logo as vermehas. Ainda n&atilde;o pesquisei na wikip&eacute;dia, mas tenho certeza que h&aacute; uma ordem no florescer das cores, independente do tipo. Outra hora.</p>
<p>Hoje c&eacute;u azul. Azul de verdade. Azul sem vergonha, sem no&ccedil;&atilde;o, sem medo nem culpa. Azul que d&aacute; gosto, que alegra, que anima. Azul que ressuscita! Nem tanto ao c&eacute;u, que a temperatura n&atilde;o t&aacute; l&aacute; mais do que singelos 15 graus.</p>
<p>Curioso a diferen&ccedil;a de referenciais, a facilidade de se adaptar (de certa forma) a padr&otilde;es. Qualquer 15 graus no Brasil e a gente desenterra o cobertor. Qualquer 15 graus em Londres e a gente desenterra a canga e vai pro parque.</p>
<p>E fica aproveitando o dia lindo, bebendo vinho, jogando conversa fora e, &oacute;bvio, tirando um sarro fenomenal do ver&atilde;o de Ingl&ecirc;s.O jeito que eles se estiram em qualquer meio metro de verde (cuidado na escolha da cor do seu tapetinho na porta de casa), a mulherada de suti&atilde;o, os caras sem camisa, uma braquelice que d&oacute;i os olhos e deve arder de noite, quando v&atilde;o dormir. Se &eacute; que este so queima.</p>
<p>Sol e moleton &eacute; mucho sospetioso.</p>
<p>E bolas, ora bolas, bolas por todas as partes, pequenas grandes chutadas lan&ccedil;adas. Fucking balls amea&ccedil;ando meu Montepulciano D'Abruzzo, minha cabe&ccedil;a, minha paz. Cachorros que simplesmente ignoram uns aos outros. N&atilde;o latem, n&atilde;o interagem com outros de sua condi&ccedil;&atilde;o. cachorros que s&atilde;o quase rob&ocirc;s. No mais tudo meio parecido com qualquer dia de sol. Crian&ccedil;as tomando sorvete, gente bebendo cerveja, os mais esportivos se exercitando, risdas por todo lado, &oacute;culos escuros, um chorinho ali, uma gritaria acol&aacute;.</p>
<p>Meu telefone toca. Um amigo figurissima mechama para desabafar. Parafrasei-o-o: sabe, depois de cinco ano nessa terra cinza eu me apeguei aos dias nublados. Fico sempre meio blas&eacute;, durmo at&eacute; mais tarde. De s&aacute;bado saio de guarda chuva, vou a alguma mostra no Tate ou na National Gallery, pego um cineminha em bayswater, janto num japon&ecirc;s no soho ou um italiano em chelsea. Domingo, durmo at&eacute; mais tarde de novo, almo&ccedil;o um sunday roast num gastro-pub local e assisto tr&ecirc;s filmes jogado na cama. Agora este sol? Este c&eacute;u azul? N&atilde;o sei o que fa&ccedil;o. Me d&aacute; uma &acirc;nsia. Quero fazer tudo ao mesmo tempo. Churrasco na casa dos amigos, pick-nick no parque, pints na cal&ccedil;ada em bricklane, passeiozinho por covent garden. Meu telefone n&atilde;o p&aacute;ra de tocar, n&atilde;o sei que roupa ponho e nao acho a merda da minha canga caso eu decida ir no parque.</p>
<p>Ai, estes dias de sol em Londres s&atilde;o um verdadeiro tormente. Imagina se algu&eacute;m me liga e eu digo que estou dormindo. Um bafo. Que pregui&ccedil;a do ver&atilde;o. Aberta a temporada de visitas, cerveja quente e p&eacute;s feios de unhamalfeita e casc&atilde;o no metr&ocirc;!</p>
<p>N mesma linha observo um grupo de tr&ecirc;s casais que acaba de chegar ao parque. Acabaram de almo&ccedil;ar em algum restaurante dos arrededores. Comeram, beberam, desfilaram suas t-shirts e cal&ccedil;as pescador e agora, est&atilde;o no parque. Percebe-se claramente a falta de preparo, de disposi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma coisa meio for&ccedil;ada, uma papo j&aacute; meio sem muito assunto, posturas comvontade de deitar, p&eacute;s voltados pro prot&atilde;o. Querem ir pra casa, ler seus livros, jogar fifa no playstation, assistir um programa tosco e cochilar na tv, mas n&atilde;o podem. Nunca sabem se este &eacute; o &uacute;ltimo ou, qui&ccedil;&aacute; o &uacute;nico dia de sol Londrino este ano.</p>
<p>Levanto a cabe&ccedil;a da tela do computador, eles n&atilde;o est&atilde;o mais ali. Foram pra casa, como queriam, mas agora sem a culpa de terem perdido o dia de sol, v&atilde;o atualizar seu statuts do facebook 'lovely saturday at the park'.</p>
<p>Aiiiiiiiii! A porra da bola me acertou. Sorry? Sorry? Sorry uma ova. Eu &eacute; que sou sorry por este inverno inspiracional!</p>
<p>Sat Nam ;)</p>
<p>&nbsp;</p>]]></description>
</item>
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<title><![CDATA[Tanto Faz]]></title>
<link><![CDATA[http://www.temmais.com.br/blog/tudojuntomixturado/Default.aspx?idPost=8964]]></link>
<author><![CDATA[Tanto Faz]]></author>
<pubDate><![CDATA[23/11/2009 21:02:40]]></pubDate>
<description><![CDATA[<p>&ldquo;Tanto Faz &eacute; fundamental&rdquo;. Totalmente. E eu n&atilde;o posso nem dar os devidos cr&eacute;ditos ao respectivo escrivinhador da frase acima, que vim a ler no posf&aacute;cio deste livro que tanto me fez, visto que meu amigo empresteiro arranca-o da minha m&atilde;o enquanto eu, pesarosamente, comentava num suspiro fundo, contemplando nost&aacute;lgica aquele meu j&aacute; t&atilde;o bom e velho companheiro de metro: acabei. Economizei, li bem devagarinho, voltei algumas p&aacute;ginas at&eacute;, mas acabei.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&Eacute;, acaba mesmo. Disse ele sorrindo de orelha-a-orelha enquanto tomava de volta seu brinquedo favorito. Sempre acaba.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Droga. Acabou e nem tem mais nas livrarias. Agora vou ter esse toc novo. De entrar em cada sebo por que passar procurando por TANTO FAZ do REYNALDO MORAES. Este e tamb&eacute;m todos os outros integrantes da cole&ccedil;&atilde;o Cantada Liter&aacute;ria, da editora que esqueci o nome (tem google pra qu&ecirc;?).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma turma bacana que nos anos 80 e pouco, enquanto eu e minha gera&ccedil;&atilde;o aprend&iacute;amos a falar, j&aacute; se descolava por a&iacute;, num jeito profundo e original de fazer arte sem fazer mist&eacute;rio.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Se n&atilde;o estivesse em pleno &oacute;cio criativo &ndash; leia-se: minha criatividade est&aacute; com pregui&ccedil;a &ndash; deslancharia uma bela ode agradecendo ao Reynald&atilde;o (ou Ricardinho, o cara do book), acima de tudo, pelas gargalhadas singulares que me causou entre as cinco esta&ccedil;&otilde;es da Victoria line que tenho que encarar antes de atingir meu rotineiro destino de everyday.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Embora n&atilde;o apenas de gargalhadas me tanto fizeste o onicitado libro. Tamb&eacute;m me remeteu a Bougart, Casablanca, sambinhas aleat&oacute;reos, pinceladas po&eacute;ticas, tragadas de um senso de humor inteligente, sarc&aacute;stico e escrachado pra caralho (sorry about that). Al&eacute;m de, como n&atilde;o poderia deixar de ser, promover sinapses filos&oacute;ficas em meu neur&ocirc;cios psic&oacute;ticos originando id&eacute;ias fant&aacute;sticas das quais perdi cada fio da meada ao descer na esta&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tanto Faz. O que importa &eacute; que este &eacute; meu mais novo the book on the table ao lado da minha cama, pra que toda vez que a isnpira&ccedil;&atilde;o falhar (e ela &eacute; boa nisso!) ele esteja ali, firme, com tes&atilde;o suficiente pra me animar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu, Reynaldo, Ricardo, o amigo espresteiro, o escrivinhador do posf&aacute;cio, Londres, Paris, Brasil , d&eacute;cada de 80, dois mil e pico e toda a turma dessa tal Cantada Liter&aacute;ria temos em comum o fato de que Tanto Faz &eacute; um cl&aacute;ssico que tanto faz.</p>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Tudojuntomixturado]]></title>
<link><![CDATA[http://www.temmais.com.br/blog/tudojuntomixturado/Default.aspx?idPost=8590]]></link>
<author><![CDATA[Tudojuntomixturado]]></author>
<pubDate><![CDATA[4/11/2009 22:31:18]]></pubDate>
<description><![CDATA[<p>&Eacute; bom chegar l&aacute;. Perceber numa outra l&iacute;ngua novas ferramentas pra boa e velha caixa de expressar. Chorar na tecla sap. Rir sem subtitles.    Ia comprar qualquer coisa. Notei na entrada a nigeriana e seu penteado embrulhado em papel preto brilhoso. Imposs&iacute;vel n&atilde;o pensar: what? E segui, antropologisando meu ego numa tentativa de aceitar que cada qual com seu pr&oacute;prio &oacute;culos enchergador de mundo. Fui saindo. A mu&ccedil;ulmana de burca preta ia entrando. S&oacute; os olhos de fora. Notou, como se fosse poss&iacute;vel n&atilde;o notar, a mesma nigeriana ostentando aquele seu penteado. Com seus dois olhinhos que o mundo todo podia ver ela disse tudo. Como quem v&ecirc; e n&atilde;o acha assim t&atilde;&atilde;&atilde;o legal.  Isso &eacute; Londres. Talvez seja o caso do Islamismo tapar tamb&eacute;m os olhos das mulheres. Pela expressividade daquele olhar de quem viu um homem com a cueca por cima da cal&ccedil;a, talvez devam deixar tudo de fora e tampar o parzinho de janelas que fala em qualquer idioma.   Saudade &eacute; palavra que em Ingl&ecirc;s n&atilde;o h&aacute;. Carinho tamb&eacute;m n&atilde;o. Nem cafun&eacute;. E tamb&eacute;m n&atilde;o pode usar delicious pra dizer que estava delicioso, a n&atilde;o ser se estiver falando falando do pudim, do drink de morango, do estrogonoffe de frango.  As vezes da saudade de carinho. S&oacute; pra n&atilde;o perder o h&aacute;bito de desejar sempre algo que falta.</p>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Tem coisas que só Londres faz por  você II]]></title>
<link><![CDATA[http://www.temmais.com.br/blog/tudojuntomixturado/Default.aspx?idPost=8589]]></link>
<author><![CDATA[Tem coisas que só Londres faz por  você II]]></author>
<pubDate><![CDATA[4/11/2009 22:30:35]]></pubDate>
<description><![CDATA[<p>Voc&ecirc; j&aacute; viveu de casaco? Pois &eacute;, aqui se vive assim. Seus casacos ficam pendurados na porta. Quando voc&ecirc; vai ali do lado comprar leite, mete o casac&atilde;o por cima do pijama e ningu&eacute;m imagina sua descompostura.  Quando voc&ecirc; vai sair de casa pra trabalhar coloca entre a roupa e o casaco mais uma blusa, de l&atilde; por exemplo. A&iacute; voc&ecirc; pega sua chave, seu ipod, seu Oyster (carteirinha do metro), seu celular, sua bolsa, a sacola que cont&eacute;m seu sapato alto (n&atilde;o d&aacute; pra caminhar na rua de salto) e sempre sua umbrella. Tamb&eacute;m conhecida como guarda-chuva. Guarde bem: nunca, nunca, nunca ouse esquecer sua umbrella.  Enfim l&aacute; est&aacute; voc&ecirc;, embrulhada na sua armadura contra o frio - que inclui ainda cachecol, luvas e gorro &ndash; at&eacute; que chega no Metro. Antes de mais nada um dos carinhas que distribui os tabl&oacute;ides gratuitos enfia um na sua cara. Voc&ecirc; prende aquilo entre o queixo e o ombro e continua seu caminho. Sorte que a tinta do jornal daqui &eacute; especial e n&atilde;o suja a pele. Sen&atilde;o todo mundo ia viver com o pesco&ccedil;o encardido de preto.  Entao voce rebusca seu Oyster em algum bolso e passa na catraca. O metro &eacute; um forno: hora do efeito cebola. As pessoas literalmente se descascam correndo e se atropelando entre as escadas e corredores do underground.  Suas m&atilde;os escorregam por conta das luvas, em um bra&ccedil;o a bolsa mega pesada e no outro a sacola dos sapatos. O jornal encaixado no v&atilde;o pescoco-ombro, e voc&ecirc; pretende tirar seus casacos como?  Desenvolver a habilidade de um polvo, nessa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma t&eacute;cnica interessante.  No meu caso, a esta altura chego na plataforma suando. Estaciono, coloco os pertences no ch&atilde;o, entre as pernas. Arranco uma luva, arranco o gorro, arranco o cachecol. Jogo tudo na sacola do sapato. Antes de poder tirar o casaco tenho que tirar dos bolsos o ipod - nessa hora o fone escapa do meu ouvido - o celular e o oyster card. Tudo correndo, porque da&iacute; o metro j&aacute; chegou. Cato as coisas do jeito que d&aacute; e entro no vag&atilde;o procurando um lugar pra sentar.  Eis que ent&atilde;o comeca minha sess&atilde;oo check list: confiro se tudo que tava nos bolsos do casaco est&aacute; agora nos bolsos da calca. O celular eu sempre tenho certeza que perdi, at&eacute; que acho. Leio a primeira not&iacute;cia sobre como a Victoria Beckham prefere o cabelo do David e &eacute; hora de fazer baldia&ccedil;&atilde;o.  Pego minhas tralhas, subo escada, des&ccedil;o escada, atravesso 3 corredores, pronto. Espero o outro metro. Mal entro nele e j&aacute; comeco a recolocar minhas coisas. O casaco, a parafern&aacute;lia nos bolsos, o gorro, as luvas.  Cheguei. Na beira da catraca para sair meu oyster sempre encana em sumir. Quase morro pisoteada. Saio da esta&ccedil;&atilde;o e &eacute; como se eu tivesse aberto a porta do freezer. Meu nariz fica imediatamente vermelho e minha boca racha na mesma hora. Preciso do batonzinho.  Onde est&aacute; mesmo o batonzinho? Ah sim, na minha bolsa gigante onde eu nunca acho nada. Vou andando meio capenga, procurando o tal baton, desviando das pessoas, olhando pro lado errado na hora de atravessar e tentando achar o celular pra descobrir toda a vez que estou pelo menos 7 minutos atrasada.  Dou risada da minha pr&oacute;pria cara e sigo minha caminhada desastrada, individual e comunit&aacute;ria rumo a mais um dia de aventuras na Terra da Rainha. Eis que n&atilde;o quando come&ccedil;a a chover. Abro minha bolsa da Marry-Poppins a procura do guarda-chuva &ndash; eu disse que ele era indprescind&iacute;vel - e j&aacute; fico planejando com que m&atilde;o vou segur&aacute;-lo. Ainda n&atilde;o sou um polvo, mas um dia chego l&aacute;.  Para quem n&atilde;o gosta de vida normal, isso aqui &eacute; poesia!</p>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Estranho-Esquisito]]></title>
<link><![CDATA[http://www.temmais.com.br/blog/tudojuntomixturado/Default.aspx?idPost=8588]]></link>
<author><![CDATA[Estranho-Esquisito]]></author>
<pubDate><![CDATA[4/11/2009 22:29:35]]></pubDate>
<description><![CDATA[<p>Estranho-Esquisito o que n&atilde;o d&aacute; pra entender, n&atilde;o d&aacute; pra identificar, n&atilde;o d&aacute; pra saber de onde vem, pra onde vai, como e porque.   Estranho-Esquisito &eacute; quando o sil&ecirc;ncio parece compacto, o cora&ccedil;&atilde;o parece molenga, a cabe&ccedil;a parece confusa.  Estranho-Esquisito &eacute; cor-de-burro-quando-foge. N&atilde;o parece com nada, n&atilde;o lembra ningu&eacute;m.   Estranho-Esquisito &eacute; mal-estar de gripe. Ter&ccedil;a-feira a noite. O Big Brother de London que todo mundo s&oacute; dorme.  Estranho-Esquisito &eacute; quando tava metade cheio e fica metade vazio. &Eacute; quando estava a plenos pulm&otilde;es e precisou tomar impulso.  Estranho-Esquisito &eacute; ter a certeza de que a pr&oacute;xima Primavera sempre vai chegar e ainda assim temer o inverno. &Eacute; saber que o quebra-cabe&ccedil;a se encaixa e ainda assim achar que a pe&ccedil;a n&atilde;o existe. &Eacute; saber que tudo d&aacute; certo e viver com ins&ocirc;nia.  Estranho-Esquisito &eacute; achar que n&atilde;o merece o que t&aacute; bom e reclamar quando t&aacute; mal. &Eacute; ser t&atilde;o mais f&aacute;cil aguentar um dia todo de ressaca do que um m&ecirc;s inteiro sem beber.   Estranho-Esquisito &eacute; ser humano e fazer escolhas por medo, desconfiar da sabedoria da vida e ainda assim confiar tanto.  Estranho-Esquisito. Mosquito preso no metr&ocirc;. Mu&ccedil;ulmana tretando com junkie. Cada sapato pra um lado. Dor de cabe&ccedil;a. Dia nublado. Panela enferrujada. Mudan&ccedil;a. Preguiii&ccedil;a de tudo.   Estranho-Esquisito. &Eacute;.</p>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Crouch End]]></title>
<link><![CDATA[http://www.temmais.com.br/blog/tudojuntomixturado/Default.aspx?idPost=8587]]></link>
<author><![CDATA[Crouch End]]></author>
<pubDate><![CDATA[4/11/2009 22:27:40]]></pubDate>
<description><![CDATA[<p>Como ser&aacute; Crouch End? Ser&aacute; um bairro como outro qualquer de Londres? Ser&aacute; que as casinhas s&atilde;o todas Vitorianas e tem um off license (os mercadinhos daqui) a cada esquina? Ou ser&aacute; que tem um parque lindo e um restaurante delicioso de comida Et&iacute;ope?   N&atilde;o sei e, provavelmente, nunca saberei, j&aacute; que Crouch End &eacute; o ponto final do meu bus&atilde;o e eu n&atilde;o tenho a menor intens&atilde;o de ir l&aacute; conferir como &eacute;.  Aos lugares em que nunca vou chegar. &Agrave;s pessoas que jamais conhecerei. Aos planos que nunca farei. Aos caras que nunca beijarei. Aos momentos que n&atilde;o vou passar. As tantas coisas que n&atilde;o vou viver. As vit&oacute;rias que n&atilde;o vou alcan&ccedil;ar, aos erros que n&atilde;o vou cometer, aos brindes que n&atilde;o terei tempo de fazer. &Agrave;s crases que eu nunca sei onde colocar.  &Agrave; tudo que n&atilde;o vou experimentar, testar, tentar, acertar, ousar, me jogar...a tudo o que n&atilde;o vou ser: Obrigada!  Pela falta que n&atilde;o me fazem, pela ansiedade que deixam de me causar.  Algu&eacute;m me diz que vai pra Aushwitz, eu n&atilde;o sinto nenhuma vontade de ir tamb&eacute;m. Minha amiga est&aacute; pensando em colocar silicone, eu n&atilde;o. Tem um vestido de um designer descolado que custa uns v&aacute;rios v&aacute;rios Pounds, eu n&atilde;o fa&ccedil;o a m&iacute;nima quest&atilde;o de t&ecirc;-lo.  A viagem pra Austria n&atilde;o me anima, a luta pela independ&ecirc;ncia da Papaua New Guinea n&atilde;o me excita (embora eu tenha tremenda compaix&atilde;o pela causa). A cal&ccedil;a pink da menina no metro n&atilde;o me instiga a comprar uma igual. E eu n&atilde;o tenho nenhuma inten&ccedil;&atilde;o de aprender a dan&ccedil;ar zuck.  Aos tantos n&atilde;os que d&atilde;o tranquilidade e espa&ccedil;o aos &ldquo;sins&rdquo;.   &Agrave; todos os n&atilde;os que a gente escolhe, para que os &ldquo;sins&rdquo; signifiquem muito mais. &Agrave; todos os n&atilde;os que vem por a&iacute; e aos grandes &ldquo;sins&rdquo; que trazem por tr&aacute;s.  &Agrave; todos os n&atilde;os. &Agrave; todos os &ldquo;sins&rdquo;. Sem nenhum tanto faz. Ou talvez.    Para algumas coisas, desvendar. Para outras, imagina&ccedil;&atilde;o.    Existir sem mist&eacute;rios faz tanto sentido quanto sorrir sem alma, dormir sem sono, viver sem cora&ccedil;&atilde;o.  Crouch End deve ser aquele lugar, al&eacute;m do horizonte, pra l&aacute; de Marrakesh, onde os sonhos se realizam e tudo pode acontecer.</p>]]></description>
</item>
<item>
<title><![CDATA[Tem coisa que só Londres faz por você]]></title>
<link><![CDATA[http://www.temmais.com.br/blog/tudojuntomixturado/Default.aspx?idPost=8586]]></link>
<author><![CDATA[Tem coisa que só Londres faz por você]]></author>
<pubDate><![CDATA[4/11/2009 22:25:23]]></pubDate>
<description><![CDATA[<p>Mal sa&iacute; de casa j&aacute; fui obrigada a ouvir um "fiu, fiu" de um &Aacute;rabe. Os &auml;rabes que me desculpem, mas s&oacute; mesmo um deles pra enchergar motivo de "fiu, fiu" debaixo de tanta roupa. Vai ver, eles desenvolveram vis&atilde;o de Raio-X pra enchergar al&eacute;m das burcas.  Entro no metro e duas chinesinhas est&atilde;o conversando. Elas e seus risinhos. Elas e seu mandarim compulsivo. Elas e seu Chin&ecirc;s barulhento. Caraca, como &eacute; que isto pode ser a l&iacute;ngua materna de algu&eacute;m? A China deve parecer uma gaita desafinada.  Saio do metro perturbada e resolvo ir de bus&atilde;o. Escolha errada. Mulecada indo pra escola, elas de sainha xadrez e penteados volumosos, eles e seu estilinho "sou do gueto, mas tenho que usar este uniforme com gravata". Bixo, eles fazem barulho. Tenho zero paci&ecirc;ncia com adolescente. Em qualquer idioma.  Ok, vou ap&eacute;. Se ao menos conseguisse andar na rua. Experimente cruzar a Oxford Street em hor&aacute;rio de pico, talvez se voc&ecirc; possuir o cajado de Mois&eacute;s esses Hare Chrisnas calem seus chocalhos estridentes.  Aiiiiiiiiiii, que susto. Pode parar esta ambul&acirc;ncia e manda-l&aacute; me levar pro hospital mais pr&oacute;ximo com suspeita de explos&atilde;o de t&iacute;mpano. Precisa ser t&atilde;o alta esta sirene? Deve ser pra sobressair aos decib&eacute;is de todas as l&iacute;nguas do mundo.  Ufa, cheguei! Sil&ecirc;ncio. O tlec-tlec dos teclados &eacute; um mantra pros meus ouvidos. Ou seria, n&atilde;o fosse o fato de que o chefe chegou animado e resolveu ouvir M&uacute;sica Popular Indiana no &uacute;ltimo volume.  Que &oacute;timo, se a Portuguesa resolver colocar um Fado e a Nigeriana tiver vontade de cantar um rap do seu pa&iacute;s eu juro que vou chamar a London School of Samba e a&iacute;, vamos ver quem fala mais alto.  Pra dias de TPM Londres deveria ter vers&atilde;o close caption.</p>]]></description>
</item>
</channel>
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