Publicado em: 19/02/2009

Sede por Design nas tecnologias do cotidiano

 

A tecnologia está se tornando cada vez mais íntima.

Bebê usando celular

Cada vez mais aceleradamente, uma nova tecnologia entra em nosso cotidiano. Num primeiro momento, é um objeto sem significado. Logo, alguém descobre uma utilidade e sai por aí dizendo que ninguém pode viver sem isso. Com o tempo, todos seus amigos e familiares estão usando e você se vê obrigado a usar também. A tecnologia parece que cria sua própria necessidade.

Por outro lado, não surge do nada. Alguém teve a idéia. Alguém pensou que seria útil. Normalmente, as idéias de novas tecnologias advém da realização de limitações das tecnologias existentes. A necessidade estava lá, só ninguém sabia como suprí-la.

Veja o caso do celular, por exemplo. Quem é que precisava de um celular no século XIX? Nenhuma decisão era tomada de última hora. Os compromissos eram agendados com antecedência e seu cumprimento era sagrado. Falou tá falado. Além disso, as pessoas com quem você precisava falar estavam sempre por perto.

Ao longo do século XX, isso foi mudando. O ritmo de vida foi ficando cada vez mais rápido, a quantidade de decisões maior, os contatos pessoais cada vez maiores e mais dispersos geograficamente. Como viver sem celular numa sociedade assim? Difícil, mas mais difícil ainda com ele. Agora, é preciso lidar com outros problemas.
 
 
DynaTac 8000x
O primeiro celular comercial foi produzido pela Motorola em 1983. Era grande, pesado e feio. Embora a empresa tivesse gerado conceitos muito mais avançados em design, o tijolão era mais barato para produzir.
 
 
Conceitos de celulares gerados pela Motorla

E o mico de sair andando na rua falando com um treco estranho que ninguém sabia o que era? Inicialmente, só os homens de negócio pagavam o mico e o preço do aparelho, que era salgado. Com o tempo, mais gente foi entrando na rede e com propósitos outros além de trabalho. O preço barateou, mas o mico continuava: o aparelho continuava deselegante.

A Motorola demorou mais de 20 anos para perceber que o custo e as funcionalidades de um aparelho celular era o de menos para a maioria das pessoas. O celular é ao mesmo tempo símbolo de status social e ferramenta de ascenção. As pessoas aceitam estar disponíveis o tempo todo porque não querem perder suas posições. O modelo Razr, comercializado a partir de 2004, vendeu mais de 120 milhões de unidades e se tornou o celular mais vendido de todos os tempos, embora fosse mais caro e mais difícil de usar que seus concorrentes.
 
 
Motorla Razr na mão de Sharon Stone
O Razr foi o mais cobiçado até a chegada do iPhone. Ao invés de competir na espessura, forma arrojada ou cores berrantes, a Apple investiu em usabilidade. Os telefones da Nokia sempre foram reconhecidos como os mais fáceis de usar, mas o iPhone não é só fácil. É divertido, é engajante. Parece até um game.
 
 
Bolos de íonce de iPhone
Mas o iPhone tem uma limitação: ele não é muito customizável. Não dá pra trocar de case como os celulares da Nokia, nem colocar penduricalhos como nos aparelhos da japonesa DoCoMo. Ao contrário do preconceito sobre customização, as pessoas não customizam com o objetivo de chamar a atenção para sua diferença, mas sim para lembrar-se a si mesmas. Embora eventualmente seja usado em público, o celular é um objeto íntimo. Ele faz parte da vida afetiva das pessoas.
 
 
celular customizado com bijuterias

Os produtos Apple definitivamente não são feitos para combinar com o o estilo do consumidor. Eles tem um estilo próprio. Ao invés do consumidor colocar um pouco de sua personalidade no produto, o produto é que introduz seus valores na personalidade do consumidor.

O iPod, por exemplo, não sintoniza rádio FM. Você deve escutar o que você quer, não o que uma emissora de rádio quer. E deve dar pontos, numa escala de 1 a 5 estrelas, para gerar listas com suas músicas favoritas. Na verdade, é capaz até de reconhecer quais você mais escuta, para que você escute mais e mais do mesmo. Se você quiser saber o que o colega ao lado está ouvindo, só pedindo um fone de ouvido. Não tem caixa de som e nem conexão para transferência com outros iPods.

O iPod modifica não só a forma como consumimos música, mas também como nos relacionamos com amigos e grupos sociais. Você nem precisa ter um iPod para ser influenciado por ele. É um símbolo que não age sozinho, mas que delinea nossas interações. Isto é Design de Interação.

As empresas que perceberam a relação mútua entre tecnologia e necessidade, entre usuário e contexto social, entre racionalidade e afetividade estão investindo nesse tipo de design como peça-chave de sua estratégia de mercado.

O consumidor está sedento por Design. Não aguenta mais bugigangas que não funcionam e deixam sua vida cada vez mais complicada. Se temos que usar tantas novas tecnologias em nosso cotidiano, que sejam fáceis de usar, elegantes e divertidas. O mercado de tecnologia precisa de mais Design, o mercado precisa de Design de Interação.

 
 
Este artigo é uma versão textual de uma palestra no Olhar da Criação

Publicado em: 14/01/2009

Sempre Um Papo: Preservação dos seres e do que ainda se faz existente

Apesar desse assunto já está bastante massificado na nossa cabeça, e até tem sido usado p/ fazer terrorismo psicológico, o que não é o suficiente quando se trata de conscientização ambiental, coloquei a disposição uma série de vídeos com o discurso de Leonardo Boff, expondo melhor a respeito no Sempre Um Papo.


Parte 1/6

 

Parte 2/6

 

Parte 3/6

Publicado em: 11/01/2009

"Som Legal": MAC POP

Uma das bandas que vem tocando um som bem bacana e, que tenho curtido desde 2006, é a então chamada e ainda desconhecida MAC POP, do músico Vitor Carvalho.
Eles misturam MPB com uma espécie de Surf Music criando um estilo bem brasileiro. Fazem parte dela: Vitor, David e André Geléia.
Confira alguns vídeos deles no youtube.
Blz pura!

Publicado em: 09/01/2009

Sempre Um Papo entrevista: Tony Bellotto

Guitarrista dos Titãs, uma das bandas mais importantes do rock nacional, Tony Bellotto também é escritor de romances policiais. Ele defende a idéia de que ler é muito legal. E que os escritores são tão cativantes como os roqueiros ou criadores das músicas que a galera adora.

 

Publicado em: 08/01/2009

Plantão de Natal

 

 

Viviane, Ricardo, Carol e Eu, Oráculo, Roger, Baldini (o balde) e Gian, estes fizeram o plantão de Natal 2008.

Publicado em: 02/01/2009

Acampamento

 

2009 chegando, eu e alguns amigos resolvemos ficar mais perto da natureza acampando proximo ao litoral.
Fora os ataques incessantes dos pernilongos que não é nada incomum em locais com bastante vegetação, e também os formigueiros que estavam a poucos metros da nossa barraca, valeu muito a pena passar estes 3 dias em contato com a natureza (os pernilongos e as formigas que o digam...rsss).
Enfim, valeu! Momentos assim fazem a vida valer a pena! Deixo com Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena, quando a alma não é pequena."
...e "ponto".

Publicado em: 10/12/2008

Sobre Simplicidade

 

Os jovens e os adultos pouco sabem sobre o sentido da simplicidade. Os jovens são aves que voam pela manhã: seus vôos são flechas em todas as direções. Seus olhos estão fascinados por 10.000 coisas. Querem todas, mas nenhuma lhes dá descanso. Estão sempre prontos a de novo voar. Seu mundo é o mundo da multiplicidade. Eles a amam porque, nas suas cabeças, a multiplicidade é um espaço de liberdade. Com os adultos acontece o contrário. Para eles a multiplicidade é um feitiço que os aprisionou, uma arapuca na qual caíram. Eles a odeiam, mas não sabem como se libertar. Se, para os jovens, a multiplicidade tem o nome de liberdade, para os adultos a multiplicidade tem o nome de dever. Os adultos são pássaros presos nas gaiolas do dever. A cada manhã 10.000 coisas os aguardam com as suas ordens (para isso existem as agendas, lugar onde as 10.000 coisas escrevem as suas ordens!). Se não forem obedecidas haverá punições.

No crepúsculo, quando a noite se aproxima, o vôo dos pássaros fica diferente. Em nada se parece com o seu vôo pela manhã. Já observaram o vôo das pombas ao fim do dia? Elas voam numa única direção. Voltam para casa, ninho. As aves, ao crepúsculo, são simples. Simplicidade é isso: quando o coração busca uma coisa só.

Na multiplicidade nos perdemos: ignoramos o nosso desejo. Movemo-nos fascinados pela sedução das 10.000 coisas. Acontece que, como diz o segundo poema do Tao-Te-Ching, “as 10.000 coisas aparecem e desaparecem sem cessar.“ O caminho da multiplicidade é um caminho sem descanso. Cada ponto de chegada é um ponto de partida. Cada reencontro é uma despedida. É um caminho onde não existe casa ou ninho. Mas o que a multiplicidade faz é estilhaçar o coração. O coração que persegue o “muitos“ é um coração fragmentado, sem descanso.

Não há fim para as coisas que podem ser conhecidas e sabidas. O mundo dos saberes é um mundo de somas sem fim. É um caminho sem descanso para a alma. Não há saber diante do qual o coração possa dizer: “Cheguei, finalmente, ao lar“. Saberes não são lar. São, na melhor das hipóteses, tijolos para se construir uma casa. Mas os tijolos, eles mesmos, nada sabem sobre a casa. Os tijolos pertencem à multiplicidade. A casa pertence à simplicidade: uma única coisa.

Diz o Tao-Te-Ching: “Na busca do conhecimento a cada dia se soma uma coisa. Na busca da sabedoria a cada dia se diminui uma coisa.“

Diz T. S. Eliot: “Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?“

Diz Manoel de Barros: “Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar. Sábio é o que adivinha.“

Sabedoria é a arte de degustar. Sobre a sabedoria Nietzsche diz o seguinte: “A palavra grega que designa o sábio se prende, etimologicamente, a sapio, eu saboreio, sapiens, o degustador, sisyphus

Publicado em: 01/12/2008

Mário, O Publicitário

 

Publicado em: 11/11/2008

Canon de Pachelbel

Bélissima composição de Pachelbel. Ouça e inspire-se.

Publicado em: 21/10/2008

A acessibilidade deve estar em todo lugar que passamos.

Elevador para cadeirantes e carrinhos de bebê
Você pode não saber exatamente o que é acessibilidade, mas certamente já precisou dela um dia.

Se você já quebrou a perna e teve que subir uma escada de muletas, sabe a falta que faz uma rampa para uma pessoa que tem de usar muletas a vida inteira.

Quando você era criança, você queria ligar no orelhão pra passar trote e não conseguia porque era muito alto. "Telefone é coisa de gente grande", diziam os adultos, mas e quanto aos adultos que usam cadeira de rodas e precisa fazer uma ligação urgente?


Cadeirante não consegue subir na calçada nem alcançar o telefone

Neste momento, enquanto você lê esse texto, você pode achar que a fonte está grande ou pequena demais para a sua vista. Se você tem um mouse com rodinha de rolagem, você pode segurar a tecla Ctrl (windows) ou Command (mac) e girar a rodinha; o texto vai aumentar ou diminuir de acordo com a sua vontade. Legal isso né?

Scrollwheel: a rodinha do mouse

Mas e se você não tivesse como usar o mouse? Sim, pode ser que você não tenha nascido com dificuldades motoras, mas pode adquirí-la futuramente se quebrar um braço, se for alcoólatra, se vier a sofrer de Parkinson e etc. Nesse caso, basta usar as teclas Ctrl ou Command combinadas com as teclas + ou - para ter o mesmo efeito.

Essas opções de acessibilidade estão embutidas no seu software navegador, mas se eu tivesse bloqueado a mudança do tamanho do texto usando uma medida fixa para a fonte, pode ser que você não conseguisse usá-las.

Porque eu faria isso? Ora, pra que meu layout fique sempre igual do jeito que eu quero e quem não conseguir ler, que diminua a resolução do monitor. Ou talvez eu faça isso porque é mais fácil. Se usar um tamanho de fonte relativo, terei que garantir que todo o layout se ajuste, o que daria um trabalhão e os clientes não iriam me pagar o extra. Não vale à pena.

Navegando com um Nokia smartphone antigo

Economizando desse jeito, logo consigo juntar uma grana pra comprar um PDA com acesso à Internet . Abro este site no navegador do PDA pra mostrar pros meus amigos e o danado do site fica todo desconjuntado porque eu mesmo defini que ele é "melhor visualizado com Internet Explorer 6.0, 1024x768 pixels de resolução e Flash Player versão 9 instalada". A vergonha dá pra disfarçar com uma desculpa esfarrapada, mas e se fosse uma situação crucial na qual eu precisasse muito das informações do site?

O fato é que, mais cedo ou mais tarde, seremos vítimas das barreiras que nós mesmos criamos. Se é assim, por que não se esforçar para evitar as barreiras? Nós saímos ganhando com isso; nossos amigos saem ganhando com isso; pessoas que nem conhecemos saem ganhando com isso; enfim, a sociedade como um todo sai ganhando com isso.
Oxo: exemplo de sucesso

Chaleira da Oxo

Sam Farber tinha uma fábrica de utensílios domésticos chamada Copco nos Estados Unidos. Ele sempre se preocupou em criar produtos acessíveis para pessoas idosas e com deficiências físicas, mas isso não era o foco da empresa. Quando se aposentou, ele e sua esposa passaram algumas semanas na França e os utensílios à disposição eram terríveis para quem tinha artrite como a esposa de Sam. Sam decidiu voltar à ativa e fu

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